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EIS-ME

Quinta-feira, 26.04.07

 

Eis-me

Tendo-me despido de todos os meus mantos

Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses

Para ficar sozinha ante o silêncio

Ante o silêncio e o esplendor da tua face

 

Mas tu és de todos os ausentes o ausente

Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca

O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras

E o teu encontro

São planícies e planícies de silêncio

 

Escura é a noite

Escura e transparente

Mas o teu rosto está para além do tempo opaco

E eu não habito os jardins do teu silêncio

Porque tu és de todos os ausentes o ausente


Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)

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publicado por teresworld às 16:18

ÚLTIMO MINUTO

Quinta-feira, 26.04.07

 

 

Naquele dia levava comigo alguns livros de poesia

Sabia que estavas demasiado cansado para poderes falar

Assim tinha oportunidade de te ler, os poemas que eu lia

 

O esforço que fazia para não te abraçar

Com medo de te apertar, magoar…

O teu corpo desaparecia

E o leve manto que te cobria

Feria a pele que ansiava afagar

 

E as palavras deslizavam atropeladas

No sal das lágrimas mergulhadas

Quando em silencio te li

“Porque tu és de todos os ausentes o ausente”

 

Apesar de estar próximo o dia da mãe, este poema é do meu PAI.

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publicado por teresworld às 16:13





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