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NOITE

Quarta-feira, 03.10.07

 

 

 

 

 Night Art Print by Joan Miro

 

 

 

A noite chega

e com ela a poesia

envolta de penumbra

 

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publicado por teresworld às 17:40

O SILÊNCIO

Quinta-feira, 27.09.07

 

Por momentos ausentei-me de meu corpo e deixei-me levar pela corrente de recordações que pairavam no ar, aguçando, espicaçando a minha imaginação. Percorri com o olhar cada recanto deste lugar. E comecei a imaginar, um qualquer longuinquo Inverno,  o frio a entrar, sem ninguém o convidar, penetrando cada pequena ranhura da porta. A luta entre a pequena lareira e o frio que se fazia sentir seria desigual. Ao longe, era possível escutar o vento a uivar, provocando calafrios, arrepios de frio.

 

Entre outras coisas imaginei a pouca comida, possivelmente servida numa mesa não muito grande, colocada junto á parede. Provavelmente, um caldo bem quente, que aquece, aquece o corpo enregelado, aquece a alma quase fria.

 

Meu pai tentava encantar minha mãe, com frases como “vais descansar, aqui é calmo, vais ver…”. Senti pena de minha mãe, dos poucos dias em que iria ali repousar, segundo o meu pai, naquele lugar encantado.

 

Reviver o passado era o objectivo a que se proponha o meu pai e claro, como tudo na vida, ou quase tudo, tencionava partilha-lo com minha mãe. Não terão sido as confissões, ou as conversas, mas os silêncios. Sobretudo os silêncios. O silêncio de uma casa abandonada, outrora cheia de vida. O silêncio de meu pai que tudo absorvia, como que querendo resgatar o passado. O silêncio das noites que partilharam em silêncio...

 

 

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publicado por teresworld às 09:41

TODAS AS MANHÃS DO MUNDO

Quarta-feira, 26.09.07

 

 

 

 

 

 

Todas as manhãs do mundo

pertencem-me

O mundo ... 

Casa que habito

 nas nuvens prenoito

As montanhas o meu leito

 

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publicado por teresworld às 10:47

A CASINHA

Segunda-feira, 24.09.07

 

 

 

 

A casa da Senhora Ermelinda, na qual foram instalados o meu pai e a minha mãe, naquelas férias, espantou-me completamente. Era pequena, não tinha luz eléctrica e não tinha água (o que os obrigava a pedir aos vizinhos a quantidade de água que necessitavam)

 

Espantou-me e levou-me a pensar como era possível que em pleno século XX, a caminho do século XXI, encontrar uma casinha em estado quase primitivo. Foi-me explicado pelo meu pai que a Senhora D. Ermelinda não fazia uso da casa há muito tempo. Vivia junto com uma filha.

 

Espantou-me porque não queria entender o porquê daquele desejo do meu pai em passar férias na terra que não era dele, dele eram as poucas lembranças que guardava no mais recôndito da sua memória, numa casinha que mais parecia retirada dos livros de contos de fadas que eu em menina devorava.

 

Entrar naquela casinha foi como se tivesse recuado no tempo, no tempo que não era o meu, no espaço que identifiquei como sendo a pequena casa em que meu pai viveu.

 

O chão da cozinha era castanho, castanho-escuro da cor de terra, terra pisada por pés calejados, castigados por árduos dias de trabalho, pés nus de crianças clamando o pão.

 

Na cozinha não tinha qualquer tipo de electrodoméstico, muito menos um fogão, para grande espanto de minha mãe. Num dos quantos tinha uma pequena e rudimentar lareira maltratada pelo tempo.

 

Os quartos eram dois e estavam equipados com duas modestas camas de ferro, já um pouco enferrujadas. Sobre as camas caíam colchas de lã de cores garridas e vivas contrastando com o ar sombrio e abandonado da casa.

 

E o meu pai tudo olhava maravilhado...

Encantado por encontrar a casinha no estado original…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado por teresworld às 13:42

D. ERMELINDA

Quarta-feira, 19.09.07

 

 

MulherEugaria.jpg (34262 bytes)

 

 

 

A senhora Ermelinda tinha nesta altura aproximadamente uns oitenta e poucos anos. Uma aldeã tipicamente portuguesa. Toda vestida de negro, a saia coberta pelo avental, imaculadamente limpo. O cabelo, preso por um lenço, adivinhava-se completamente branco. Sulcos traçados pelo tempo em volta de uns olhos azuis e um magnifico sorriso pintado no rosto.

 

Foi meu pai que quase me forçou, isto é, fez questão absoluta em me apresentar a simpática senhora.

 

Percebi naquele dia que ela representava para ele as raízes que não tivera, da terra que não o quis, a avó que não conheceu, a mãe cujo rosto se desvaneceu na memória de criança abandonada.

 

Percebi não naquele dia, mas a pouco e pouco, o porquê da revolta constante com que meu pai enfrentava o mundo. A agressividade com que pronunciava as palavras, a forma como caminhava. Quase correndo para o alcançar, nunca me cansava de o acompanhar quando ainda menina para todo o lado o seguia.

Interrogava-me, se aquele andar apressado era uma forma de fugir do passado, um passado carregado de memórias atrozes ou se corria agarrando o futuro, um futuro que desenhou firmemente, traçando a linha da sua vida.

(cont.)

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publicado por teresworld às 16:12

CAMINHOS

Terça-feira, 18.09.07

 

 

Gostava de percorrer

caminhos que desconheço

Desbravar

 trilhos inacessíveis

Caminhar

ao som do silencio

Sentir

a terra respirar

Acariciar

ternamente o solo

com meus pés

dançantes

E bailar, bailar…

 

Até o meu corpo

libertar

em êxtase total

 

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publicado por teresworld às 17:58

O LIVRO

Terça-feira, 11.09.07

 

 

 

 

 

Devorei o livro numa só noite…

Tenho uma vaga ideia que foi numa noite de inverno daquelas que nos gelam as mãos, o nariz e todo o nosso corpo não revestido.

De quando em vez pousava o livro para esfregar as mãos, na vã tentativa de as aquecer.

De novo, com plena atenção ao livro, desprendia-me do meu corpo, ausentava-me do meu quarto e o frio que sentia era substituído pelo calor abrasador descrito no meu livro.

O sono, esse perdia-se no imenso espaço do meu quarto, e se porventura alguém me observava, alguém num mundo paralelo ao meu, tenho a certeza que via as emoções estampadas no meu rosto.

Se o momento exigia tristeza, ficava triste e uma lágrima solitária rolava pela minha face…

Se o momento era de alegria, nos meus lábios alguém pintava a cores um sorriso único…

E, assim, fiz muitas directas, isto é, saí do meu sono profundo sem nunca ter adormecido.

E com o vigor natural dos meus dezanove anos ia trabalhar com enorme satisfação.

Porque será?

 

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publicado por teresworld às 18:38

MUDANÇA

Segunda-feira, 10.09.07

 

  

    

  

 

 

 

Preciso urgentemente de uma mudança na minha vida

Uma mudança que me liberte desta apatia diária...

Nem as férias conseguiram me acalmar o espírito e renovar energias

O ciclo escolar está a iniciar e mais do que nunca devo estar apta

Apta ás necessidades familiares, profissionais, domésticas, etc....

 

O meu mundo está em decadência

E figuras femininas feitas á minha imagem

Desenhadas ao sabor do vento

 figura mulher

 figura mãe

 figura amiga

 figura filha

Estão sufocadas, aprisionadas

 

Num mundo pequeno...

 

 

 

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publicado por teresworld às 14:01

AFAGO

Terça-feira, 31.07.07

 

 

 

Choro

Sentindo um eco estranho

Um ruído lá fora

Como se eu estivesse dentro

De repente descubro

As lágrimas não são gotas d'água

São ruídos surdos

São gritos calados, sufocados

Sou uma covarde

Por isso choro silenciosamente

Com receio que me escutem

Os suspiros abafados são alarmes

Não consigo controlar o meu respirar

O medo vibra no meu corpo

Como se um morto me tentasse agarrar

Secaram-se as lágrimas

Cessaram-se os ruídos

Finalmente encontrei um esconderijo

Num afago doce

Quase esquecido

 

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publicado por teresworld às 10:46

ILHA ENCANTADA

Quinta-feira, 26.07.07

 

 

Palm View Art Print by David Marrocco

 

 

Pela marginal de uma qualquer ilha encantada

Quero sonhar bem acordada

Sentir a carícia da brisa do mar

O abraço quente de um sol resplandecente

 

Quero disfrutar esse sabor

de pele molhada

Arrepio de calor...

 

Mergulhar nesse mar de sensações

e sonhar, sonhar 

 

 

 

 

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publicado por teresworld às 14:09





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