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UM SER ESTRANHO

Terça-feira, 27.01.09

 

  

Max Ernst, The Robing of the Bride, 1939 by Gatochy.

Max Ernst, The Robing of the Bride, 1939

 

u

m

 

ser

 

 

estranho

 

vive em mim

amordaçando-me o pensamento

embaraçando-me

perante o reflexo da minha imagem

neste habitáculo que lhe serve

de morada vive confinada

mirrando-lhe o corpo

confundindo-me a mente

balançando entre o real e o imaginário

conturbando o presente

 

Glorioso o tempo do templo

agora em cadência lenta

como uma pétala

bailando ao som da brisa

inebriada com o sabor

olhando o nada

a dança que danço solitária

 

 

A cada dia que passa

 

o mundo avança como uma ameaça

 

as notícias dos jornais não me surpreendem

na minha monotonia sem sintonia

surpreende-me a  minha constante passivez

com que encaro o mundo

encarnando-o em mim

 

 

 

 

 

 

 

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publicado por teresworld às 09:40

A PONTE DO TEMPO

Quarta-feira, 31.12.08

 

 

 

 

Bridge over the River in Porto by Randubnick  

 

 

Atravesso a ponte do tempo

 

num rio de águas turvas

 

e entre as margens construo

 

casas enfeitadas de palavras

 

palavras esculpidas a ferro

 

cinzeladas a fogo

 

palavras que jorram

 

arrebatadas de mim...

 

 

 

 

 

 

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publicado por teresworld às 10:03

Sem faces

Segunda-feira, 15.12.08

 

 

 

 Foto retirada da internet

 

 

 

 

Quem me dera ser

 

Fernando Pessoa

 

Mil vidas viver

 

Sem faces ocultas

 

Na luz da lua entrar

 

na penumbra do amanhecer...

 

 

 

 

 

 

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publicado por teresworld às 17:51

...

Quarta-feira, 10.12.08

 

 

 

 

 

 

Ontem bebi, bebi um champanhe à minha juventude...

Ganhei mais uma rosa!

E o meu ramo de rosas cresce perfumado...

Algumas flores já perderam a frescura matinal

e espinhos foram destruídos pelo tempo.

No meu jardim de rosas

colhi sorrisos de rostos amigos

alguns presentes outros ausentes

Os que o meu jardim percorrem

regando com amor as minhas flores

deixo o meu aroma  

essência  de mim...

 

 

 

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publicado por teresworld às 10:33

Dever de Sonhar

Quinta-feira, 04.12.08

Papel de Parede: Pena de Fênix

 

 

 

Dever de Sonhar

Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis.

Fernando Pessoa

 

 

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publicado por teresworld às 13:26

o canto

Sexta-feira, 14.11.08

 

 

 

 

 

 

ah... se a musica 

soubesse eu compor

e o teu singelo canto

conseguisse retratar

 

 

 

ah... se a arte dos

grandes mestres

me inspirasse

e o teu canto

conseguisse trautear

 

 

Perfeito o momento

na minha memoria guardar...

 

 

 

 

 

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publicado por teresworld às 15:42

RÉSTIAS DE MIM

Sexta-feira, 24.10.08

 

 

 

 

 

Femme Art Print by Salvador Dali 

 

 

 

Estranhamente perco-me em mim

 

e pensamentos confusos como

 

caminhos serpenteados

 

rasgam o horizonte

 

Sigo lentamente 

 

Lança imaginária em punho

 

pisando a minha essência

 

sobre as margens derrubo

 

pequenas réstias de mim

 

 

 

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publicado por teresworld às 09:53

VENTO DO NADA

Terça-feira, 30.09.08

 

 

 

 

 

"A Whisper in the Wind"

Painting by Aaron Horvath

 

 

 

E quando julgo te encontrar

 

surge o vento do nada...

 

Lançando sobre mim

 

a maldição do tempo.

 

Do tempo que por mim passa

 

como uma ameaça...

 

 

 

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publicado por teresworld às 10:07

ABRAÇO

Quarta-feira, 10.09.08

                                  Hug by e.m.szuplat

 

 

Está em vias de extinção

Caiu em desuso o... amor

o amor puro

o amor que sentimos pelos avós,

pelos pais, pelos filhos, pelos homens.

O amor que nasce, brota de nós,

espontaneamente como erva daninha.

Ninguém sabe como nasce, onde nasce,

mas sabemos como se manifesta.

Manifesta-se num afago, num abraço ternurento, um beijo carinhoso, um olhar apaixonado...

Sinto que tudo caiu em desuso: o afago, o abraço, o beijo...

Não porque perdêssemos a capacidade de amar, de gostar mas talvez de demonstrar,

de exprimir o que sentimos através

de gestos tão simples como um abraço...

Nunca me inibi de exprimir o que sinto pelos outros, por alguém...

Talvez porque tenho um sentir intenso.

Por isso sinto falta de te abraçar...

pai...

 

 

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publicado por teresworld às 09:54

DOG WOMAN

Quinta-feira, 04.09.08

 

 

 

Paula Rego, Dog Woman
 Paula Rego, Dog Woman, 1994, Pastel on canvas

 

Arrasto-me silenciosamente

no meio da multidão

ninguém me vê

escuto quem são

 

figuras grotescas destacam-se

como ogres desfigurados

 

cegos os meus olhos seguem

e os meus olhos que vêem assim

Vêem-me eles a mim?

 

 

 

 

 

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publicado por teresworld às 18:15





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