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POESIAS

Domingo, 27.05.07

São pedaços de mim

em folhas brancas pintadas

 

Alguns traços levemente desenhados

assim como o momento

Mais a frente

a emoção transparece

no traço a negro carregado

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publicado por teresworld às 21:26

CURVADA

Sexta-feira, 25.05.07

 

Jack Pine Art Print by Tom Thomson

 

 

 

Como a árvore que tenho plantada

No jardim

 

Sinto-me assim

 

Ramos encharcados

Como os meus braços pendentes

 

Insectos esvoaçando

Como se o cheiro de podridão

 

 

Emanasse de mim

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publicado por teresworld às 23:17

SOLIDÃO

Segunda-feira, 21.05.07

 

A solidão é uma porta

fechada para o mundo

que não me pertence

 

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publicado por teresworld às 23:33

SER POETA

Quinta-feira, 17.05.07

Florbela Espanca

 

 

 


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

                                   Florbela Espanca

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publicado por teresworld às 16:11

...

Terça-feira, 15.05.07

A curva dos teus olhos dá a volta ao meu peito

É uma dança de roda e de doçura

Berço nocturno e auréola do tempo

Se já não sei tudo o que vivi

É que os teus olhos não me viram sempre

 

Falhas do dia e musgos do orvalho

Hastes de brisas, sorrisos de perfume

Asas de luz cobrindo o mundo inteiro

Barcos de céu e barcos de mar

Caçadores dos sons e nascentes das cores

 

Perfume esparso de um manancial de auroras

Abandonado sobre palha dos astros

Como o dia depende da inocência

O mundo inteiro depende dos teus olhos

E todo o meu sangue corre no teu olhar

 

Poema que encontrei no monte dos meus papeis, desconheço o autor...no entanto adoro o poema. Não podia deixar de partilha-lo....

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publicado por teresworld às 22:22

...

Sábado, 12.05.07

Claudia Bernardi

Fronteras de Silencio

 

 

SILÊNCIO

 

O silêncio fala

Segreda notícias do além

Escuto atentamente

O som do silêncio

E vozes distorcidas

Ecoam dentro de mim

 

Mergulho neste silêncio

Sem medos

Penetro lentamente

Sinto

Que neste silêncio de dor

Existe alguém….

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publicado por teresworld às 16:23

FERNANDO PESSOA

Sábado, 12.05.07

Sinto que sou ninguém salvo uma sombra

De um vulto que não vejo e que me assombra,

E em nada existo como a treva fria.

 

 

Fernando Pessoa

 

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publicado por teresworld às 15:55

MÃE

Segunda-feira, 07.05.07

Nasci na terra do vento

Na colina do sol nascente

Com vistas para o mar

Nasci numa casa encantada

No alto da serra plantada

Com pássaros a cantar

Nasci numa noite fria

No aconchego do teu lar

Se nasci….

Devo-o a ti

 

Á minha mãe

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publicado por teresworld às 17:53

MEU PEQUENO TRABALHADOR

Terça-feira, 01.05.07

Sofro quando olho nos teus

olhos infantis

Um brilho traiçoeiro revela

pequenas lágrimas escondidas,

desesperadamente apagadas para que

não te surpreendam a limpá-las.

Sofro e lágrimas escorrem pelos meus olhos

quando te recordo, pequenino,

lágrima no olho e sorrindo,

alegremente chorando,

á verdade fugindo

Corres, saltitas e gritante

envergonham-te…

e eu ali enfrente a ti

sentindo-me um pedaço de nada

um trapo apodrecido, um caco partido

É como se cada grito

cada palavra uma navalha afiada

Como se o alvo não foras tu,

mas sim eu.

Meu pequeno trabalhador,

quem dera tu não trabalhasses,

Mas sim sorrisses e brincasses.

Saltitasses alegremente entre

risos e livros

E lutasses e crescesses livremente,

Meu pequeno trabalhador…

A um pequeno trabalhador que conheci faz alguns anos, numa casa de pasto, junto ao Teatro Carlos Alberto. Almoçei vezes sem conta neste local e guardo divertidos momentos em amena cavaqueira com o pessoal da "Leitura". Mas também alguns menos felizes, como este...

 

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publicado por teresworld às 00:26

AS PALAVRAS

Segunda-feira, 30.04.07

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

                   Eugénio de Andrade
 
As Palavras
As minhas palavras são punhais....
Punhais que disparo em uma só direcção...
E o alvo que penetram sangra 
Gritos soltos, fantasmas dormentes
Cansada recolho as lágrimas
Com beijos esculpidos no tempo

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publicado por teresworld às 12:23





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