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SER POETA

Quinta-feira, 17.05.07

Florbela Espanca

 

 

 


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

                                   Florbela Espanca

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publicado por teresworld às 16:11

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Terça-feira, 15.05.07

A curva dos teus olhos dá a volta ao meu peito

É uma dança de roda e de doçura

Berço nocturno e auréola do tempo

Se já não sei tudo o que vivi

É que os teus olhos não me viram sempre

 

Falhas do dia e musgos do orvalho

Hastes de brisas, sorrisos de perfume

Asas de luz cobrindo o mundo inteiro

Barcos de céu e barcos de mar

Caçadores dos sons e nascentes das cores

 

Perfume esparso de um manancial de auroras

Abandonado sobre palha dos astros

Como o dia depende da inocência

O mundo inteiro depende dos teus olhos

E todo o meu sangue corre no teu olhar

 

Poema que encontrei no monte dos meus papeis, desconheço o autor...no entanto adoro o poema. Não podia deixar de partilha-lo....

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publicado por teresworld às 22:22

...

Sábado, 12.05.07

Claudia Bernardi

Fronteras de Silencio

 

 

SILÊNCIO

 

O silêncio fala

Segreda notícias do além

Escuto atentamente

O som do silêncio

E vozes distorcidas

Ecoam dentro de mim

 

Mergulho neste silêncio

Sem medos

Penetro lentamente

Sinto

Que neste silêncio de dor

Existe alguém….

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publicado por teresworld às 16:23

FERNANDO PESSOA

Sábado, 12.05.07

Sinto que sou ninguém salvo uma sombra

De um vulto que não vejo e que me assombra,

E em nada existo como a treva fria.

 

 

Fernando Pessoa

 

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publicado por teresworld às 15:55

TRAÇOS

Sexta-feira, 11.05.07

 

 

clique na imagem para ver maior

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

Traços do teu rosto amigo

Surgem nas brumas da memória

Com nitidez irreal

Do tempo perdido….

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publicado por teresworld às 15:36

SOLIDÃO

Quinta-feira, 10.05.07

Photo

Pavel Filonov,

 com visões labirínticas inspiradas na Rússia medieval

 

 

Fugindo por momentos escassos de vida

Aproveito uma pequena distracção

Nos olhares curiosos dos outros

Escondo-me em mim

Fecho-me num imenso mar

Liberto-me em pleno no mundo submerso

Aquele que só a mim me pertence

Todos lutam

Não por um lugar ao sol

Mas um espaço na terra

Eu só quero para mim

Uns poucos momentos de solidão

 

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publicado por teresworld às 14:30

WALT WHITMANN

Quinta-feira, 10.05.07

Canto de mim mesmo

As casas e os quartos estão repletos de perfumes,

      as prateleiras estão repletas de perfumes,

Eu próprio aspiro essa fragrância, conheço-a e gosto dela,

Eu próprio dela poderia embriagar-me, mas não o

      permitirei.

A atmosfera não é um perfume, não sabe a emanação

      alguma, é inodora,

Para sempre ficará na minha boca, por ela me apaixonei,

Irei ao rio junto ao bosque e despojar-me-ei de disfarces

      e roupas,

Estou louco por entrar em contacto com ela.

O fumo da minha própria respiração,

Ecos, ondulações, murmúrios e sussurros, raiz do amor,

      fio de seda, forquilha e vide,

A minha respiração e inspiração, o bater do coração,

      o sangue e o ar que passam pelos meus pulmões,

 

O odor das folhas verdes e das folhas secas, da praia e das

      rochas escuras do mar, e do feno no celeiro,

O som das palavras que a minha voz atira aos remoinhos

      do vento,

Alguns beijos leves, alguns abraços, os braços à volta

      de um corpo,

O jogo de luz e sombra nas árvores com os dóceis ramos

      balouçando,

O prazer de estar só ou no tumulto das ruas, ou pelos

      campos e colinas,

A sensação de saúde, os gorjeios do grande meio-dia,

      o meu canto ao levantar-me da cama e encontrar o sol.

 

Achas que mil acres são muitos? Achas que a Terra é muita?

Praticaste o necessário para aprender a ler?

Sentiste-te orgulhoso por captar o sentido dos poemas?

 

Fica comigo este dia e esta noite e possuirás a origem

      de todos os poemas,

Possuirás o que há de bom na Terra e no Sol

      (há milhões de sóis)

Não terás coisas em segunda ou terceira mão, nem verás

      pelos olhos dos mortos, nem te alimentarás

      dos espectros dos livros,

Nem através dos meus olhos verás, nem de mim terás

      as coisas,

Escutarás tudo e todos e tudo em ti filtrarás.

 

Tradução de José Agostinho Baptista

  

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publicado por teresworld às 12:19

SENTIR

Quarta-feira, 09.05.07

 

                                         Pintura de Salvador Dali

 

Sentir

Que é pouco o meu sentir

 

Sentir

Que já não vibro com o amor

Que sentia vibrar só em pensar

 

Sentir

Que o meu sentir está errado

Mal direccionado

 

Sentir

Que o azedume das palavras

Que pronuncio

Reflectem-se no meu sentir

 

Observo-me…

Salto do espelho do meu corpo

Agora enfrente a ele

Não me reconheço

 

No meu olhar não há luz

 

Na monotonia do meu olhar

Uma gota d’água cintila

Percorrendo pequenos rios

Traçados no rosto…

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publicado por teresworld às 16:05

ENCONTRO

Segunda-feira, 07.05.07

 

Acordo sobressaltada

Como se alguém que não está presente

No ombro me tocasse

Acordo…

Acordo com a sensação que algo está errado

Sonhos…

Sonhos estranhos povoaram a minha mente

Presentes, presentes…

Ofertas sem sentido que testam

A alegria ausente

Depois uma enorme sensação de vazio

Como se todos os sonhos se esgotassem

Me sugassem os pensamentos

Lentamente sinto-me a acalmar

A necessidade de andar

De encontro á parede

Como que encurralada numa pequena jaula

Começa a desvanecer-se

São quase seis horas da madrugada

Levanto-me com o ruído dos primeiros pássaros

A primeira camioneta urbana parte

E eu decididamente também queria partir

Foi o que me ocorreu

Vestir-me e sair…

Penso mais uma vez no que sonhei

E apesar de não serem pesadelos

Sinto-me saída de um dos piores filmes de terror

 

O meu pai segue-me

Descola-se dos meus sonhos

E preocupa-me

O estado de saúde dele inspira cuidados

E ocorre-me telefonar

Para saber notícias

Mas é completamente absurdo telefonar

Só para perguntar se está tudo bem

 

Depois descubro que nada disto faz sentido

Acordei baralhada

Completamente baralhada

E mais uma vez ocorre-me partir

Sair ao encontro de algo

Que lá fora espera por mim

Tentar mudar o rumo deste dia

Por vezes um pequeno incidente

Uma minúscula pedra no caminho

Tudo pode mudar

E imagino que me vesti

Silenciosamente

Para não acordar as crianças

O marido

E solto-me pela rua fora

Como se fosse a um encontro marcado

Vou altiva e determinada

Ao encontro do nada

Nada me espera

E eu nada espero encontrar

Mesmo assim vejo-me caminhar em direcção ao rio

È lá que eu quero estar

Ver o rio a acordar

Ver as águas a deslizar monotonamente

Transmitindo-me não a monotonia

Porque essa transborda de mim

Mas a calma que só a água me consegue dar

Ver a vida a despertar

Sentir o corpo a mergulhar

Na água quase fria

Desperto uma vez mais

Não dos sonhos

A que estava ligada

Mas dos pensamentos

E decido mergulhar o meu corpo

Num duche bem quente

Interrompo assim mais uma quebra

Na minha rotina

Sai e já voltei

Começo um novo dia…

 

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publicado por teresworld às 18:08

MÃE

Segunda-feira, 07.05.07

Nasci na terra do vento

Na colina do sol nascente

Com vistas para o mar

Nasci numa casa encantada

No alto da serra plantada

Com pássaros a cantar

Nasci numa noite fria

No aconchego do teu lar

Se nasci….

Devo-o a ti

 

Á minha mãe

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publicado por teresworld às 17:53






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