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CAPITÃES DA AREIA

Quarta-feira, 01.08.07

 

 

 

 

 

"Contam no cais da Bahia que quando morre um homem valente vira estrela no céu. Assim foi com Zumbi, com Lucas da Feira, com Besouro, todos os negros valentes.Mas nunca se viu um caso de uma mulher, por mais valente que fosse, virar estrela depois de morta.

Algumas, como Rosa Palmeirão, como Maria Cabaçu, viraram santas nos candomblés de caboclo. Nunca nenhuma virou estrela.

 Pedro Bala se joga nágua. Não pode ficar no trapiche, entre os soluços e as lamentações. Quer acompanhar Dora, quer ir com ela, se reunir a ela nas Terras do Sem Fim de Yemanjá. Nada para diante sempre. Segue a rota do saveiro do Querido-de-Deus. Nada, nada sempre. Vê Dora em sua frente, Dora, sua esposa, os braços estendidos para ele. Nada até já não ter forças. Bóia então, os olhos voltados para as estrelas e a grande lua amarela do céu. Que importa morrer quando se vai em busca da amada, quando o amor nos espera?

Que importa tampouco que os astrônomos afirmem que foi um cometa que passou sobre a Bahia naquela noite? O que Pedro Bala viu foi Dora feita estrela, indo para o céu. Fora mais valente que todas mulheres, mais valente que Rosa Palmeirão, que Maria Cabaçu. Tão valente que antes de morrer, mesmo sendo uma menina, se dera ao seu amor. Por isso virou uma estrela no céu. Uma estrela de longa cabeleira loira, uma estrela como nunca tivera nenhuma na noite de paz da Bahia.

A felicidade ilumina o rosto de Pedro Bala. Para ele veio também a paz da noite. Porque agora sabe que ela brilhará para ele entre mil estrelas no céu sem igual da cidade negra.

O saveiro do Querido-de-Deus o recolhe."

Excerto do livro "Capitães da Areia" de Jorge Amado.

Li este livro muito novinha...Ficou na minha memória o sabor das lágrimas que não consegui conter... em pequenos trechos como este aqui editado.

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publicado por teresworld às 16:46

JORGE AMADO

Segunda-feira, 30.07.07

Em 10 de agosto de 1912, nasce Jorge Leal Amado de Faria na Fazenda Auricídia, em Ferradas, no município de Itabuna, sul da Bahia, filho do comerciante sergipano João Amado de Faria e de Eulália Leal Amado. De 1920 a 1926, faz o curso primário em Ilhéus e inicia o secundário no colégio jesuíta Santo Antônio Vieira, em Salvador, de onde foge para refugiar-se na casa do avô, em Itaporanga, no Sergipe. A partir de 1928, começa a freqüentar as rodas literárias e colaborar nas revistas Samba, Meridiano e A semana.
A década de 30 marca a mudança de Jorge Amado para o Rio de Janeiro, sua estréia na literatura e o início de sua militância política. Em 1931, inicia o curso de Direito na Universidade do Rio de Janeiro. No mesmo ano, lança O país do Carnaval, seu primeiro romance. Em 1933, é publicado o livro Cacau, que tem a primeira edição, de 2 mil exemplares, esgotada em 40 dias. O livro é apreendido, mas liberado logo depois. No mesmo período, o autor aproxima-se do Partido Comunista. Com o lançamento de Jubiabá, Jorge Amado alcança a consagração no cenário internacional, sendo, inclusive, elogiado por Albert Camus. No entanto, pressionado por perseguidores políticos, sai do país e, do exílio, faz oposição ao Estado Novo. Em 1937, já filiado à Aliança Nacional Libertadora, é preso numa visita a Manaus e submetido a interrogatório. É deste mesmo ano o lançamento de Capitães da areia, o livro mais vendido do escritor.
De volta do exterior, em 1942, o autor é preso novamente. Ainda assim, é lançado na Argentina o livro O cavaleiro da esperança, que só três anos depois seria publicado no Brasil. Ainda em 1942, Jorge Amado conhece Zélia Gattai, com quem se casa em 1945. Eleito deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro em São Paulo, em 1946, o escritor interrompe por curto período a atividade literária. Dois anos depois, tem o mandato cassado e volta ao exílio, desta vez em Paris. Em 1950, expulso de Paris, vai morar em Praga, de onde acompanha o lançamento de seus livros na União Soviética. No ano seguinte, recebe o Prêmio Stalin de Literatura, em Moscou. Volta ao Brasil em 1952.
No fim da década de 50 e durante os anos 60, Jorge Amado lança algumas de suas mais conhecidas obras, entre as quais Gabriela, cravo e canela, A morte e a morte de Quincas Berro Dágua, Os pastores da noite e Dona Flor e seus dois maridos. Sua eleição como membro da Academia Brasileira de Letras acontece em 1961 e, cinco anos depois, recebe a primeira indicação para o Prêmio Nobel de Literatura.
Nas décadas de 70 e 80, diversos livros de Jorge Amado são adaptados para o cinema e a TV, entre eles Gabriela, cravo e canela, que se transforma numa das novelas de maior sucesso da televisão brasileira e num filme estrelado por Sônia Braga e Marcello Mastroianni; Dona Flor e seus dois maridos, que ganha uma versão cinematográfica dirigida por Bruno Barreto; Tieta do agreste, obra em que se baseou a novela Tieta, produzida pela Rede Globo de Televisão; e a minissérie Tereza Batista cansada de guerra.
Em 1983, Jorge Amado recebe a maior condecoração da França, a comenda da Legião de Honra. Quatro anos depois, é criada a Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho, em Salvador. O autor escreve uma espécie de autobiografia em 1992, sob o título Navegação de cabotagem. Em 1995, inicia-se o processo de revisão de sua obra por Paloma Costa, filha do escritor, e os livros ganham novo projeto gráfico. No mesmo ano, Jorge Amado recebe em Lisboa o Prêmio Camões, uma das mais altas distinções da língua portuguesa. Suas obras mais recentes são A descoberta da América pelos turcos, de 1994, e o livro-conto O milagre dos pássaros, de 1997.

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publicado por teresworld às 10:00





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