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NO TEU OLHAR

Segunda-feira, 03.12.07

 

Erlend Mork , agony print

 

Nesse rosto adulto

encontro um olhar infantil

e descubro no teu olhar

uma criança a chorar

Luto desesperadamente

tento chegar, entrar, penetrar

agarrar esse teu olhar

Foram carinhos insuficientes

Palavras carentes

Como sofreu essa criança

reflectida no teu olhar...

 

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publicado por teresworld às 12:54

ALBUM DE FAMILIA

Terça-feira, 16.10.07

 

Das lembranças mais antigas, recordo quase com exactidão o dia da minha primeira fotografia. A minha primeira fotografia que tenho memória, entenda-se.

 

Recordo a correria e alvoroço em que a minha mãe estava, preocupada em nos vestir as melhores roupas, as roupas domingueiras. Teria aproximadamente os meus cinco anos, por isso não seria muito pesada, pois lembro que minha mãe agarrou-me pelos braços, levantou-me sem grande esforço e sobre uma arca metálica (onde normalmente se guardavam os lençóis bordados e outro tipo de roupa) vestiu-me umas calças escuras com alças, uma camisola branca e como agasalho um bonito casaco de algodão, que me tinha sido oferecido pela minha madrinha de baptismo.

 

Naquele tempo a casa onde habitávamos tinha um vasto quintal e no meio do mesmo um pequeno carreiro que ligava a casa ao portão da entrada. Todo o percurso desde a entrada até junto das casas, a minha avó vivia logo ao lado, era decorado com flores, várias flores. Recordo que o cenário escolhido para tirar as fotos foi precisamente junto ás margaridas.

 

Tanto eu como os meus irmãos estávamos completamente brilhantes, penteados e perfumados, com a velha água-de-colónia.

 

Mais tarde já adolescentes, as fotografias em questão foram alvo de grande discussão familiar, mas essa é outra história. Tanto que ainda hoje fazem parte do meu albúm fotográfico, rasgadas e toscamente coladas….

                                                    

 

 

Mais tarde o meu agasalho, o bonito casaco de algodão oferecido pela madrinha, foi material de costura. Eu passo a explicar. Na minha rua não existiam carros, ou outros veículos motorizados, senão algumas raras bicicletas, que atentassem á segurança das crianças. Na verdade a minha rua, não era propriamente uma rua, mas sim um grande carreiro de terra batida, em tempos idos bastante famosa. Por lá passaram D. Miguel e as suas tropas, quando em 1832 a 1834 travou-se a Guerra Civil, entre Liberais e Absolutistas.  

 

A rua era o nosso mundo, nele brincávamos livremente. Percorria a rua toda com os meus amigos, conhecia como a palma das minhas mãos o interior de todas casas e quase sempre a minha mãe desconhecia onde eu parava. Só aparecia em casa para almoçar ou jantar quando ao longe ouvia a voz de minha mãe.

 

Numa dessas minhas ausências apareci em casa mas sem o meu casaco, que obviamente deixara abandonado, perdida em mirabolantes brincadeiras. Mas a minha mãe, como sempre alerta, perguntou-me pelo casaco. Após a minha confissão sobre tortura, que o casaco se encontrava em casa da minha amiga Zirinha, a filha da Ti Glória do alto, fui obrigada a recupera-lo.

 

Ainda sinto o rubor, o calor de embaraço nas faces do rosto, quando de mão agarrada á minha mãe, pergunto pelo casaco. Nisto aparece a Ti Glória que com palavras azedas diz nunca ter visto tal casaco. Bem resumindo a história, já o casaco estava cortado e recortado e as bonecas bem vestidas, tipo novo modelo de casaco de noite….  

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publicado por teresworld às 11:55

TODAS AS MANHÃS DO MUNDO

Quarta-feira, 26.09.07

 

 

 

 

 

 

Todas as manhãs do mundo

pertencem-me

O mundo ... 

Casa que habito

 nas nuvens prenoito

As montanhas o meu leito

 

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publicado por teresworld às 10:47

AFAGO

Terça-feira, 31.07.07

 

 

 

Choro

Sentindo um eco estranho

Um ruído lá fora

Como se eu estivesse dentro

De repente descubro

As lágrimas não são gotas d'água

São ruídos surdos

São gritos calados, sufocados

Sou uma covarde

Por isso choro silenciosamente

Com receio que me escutem

Os suspiros abafados são alarmes

Não consigo controlar o meu respirar

O medo vibra no meu corpo

Como se um morto me tentasse agarrar

Secaram-se as lágrimas

Cessaram-se os ruídos

Finalmente encontrei um esconderijo

Num afago doce

Quase esquecido

 

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publicado por teresworld às 10:46

DIA MUNDIAL DA CRIANÇA

Sexta-feira, 01.06.07

 

Desenho de CRIANÇA

por Silvia (a minha criança)

As crianças

em toda a sua doçura

são para mim

poesia...poesia pura

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publicado por teresworld às 11:27





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