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CAFÉ

Sábado, 02.02.08

 

  

 

 

Decidiu partir à procura de si e num acto não irreflectido, pois já há muito que planeava a partida, só esperava o momento chave, reuniu os poucos objectos pessoais, escrevinhou num pedaço de papel duas a três frases em jeito de despedida e deixou tudo para trás...

 

E tudo era muito. Deixou uma vida incompleta, parte de si não vivia, sobrevivia ao sabor das intempéries da vida. Perdeu anos a lutar contra si e sorria...

 

Sentia-se segura e lentamente caminhava por ruas que bem conhecia. Olhava com atenção despropositada, este não era certamente o momento para se perder em olhares contemplativos. Os edifícios estagnavam ao mesmo ritmo de sempre como que perdidos no tempo.

 

Tentava não pensar nas consequências da sua partida, pela primeira vez pensava em si e traçava o caminho que queria percorrer.

 

Há quanto tempo já não sentia a adrenalina correr nas veias, e o peito a saltitar de emoção, a um ritmo acelerado , sentindo-se viva... livre...

 

Parou num café majestoso , que sempre a transportou a outros lugares, saboreou um café quente, intenso e deixou-se levar pela imaginação, viajando no tempo.

 

A melodia suave de um piano pairava no ar e embalada pela musica semicerrou os olhos, bebendo cada nota musical. Sentia o vibrar das notas deslocando-se no espaço, dançando num palco invisível , um bailado subtil e repentinamente pegou na carteira e saiu . Lágrimas corriam pelo rosto que não era o seu e o seu corpo fugia por entre a multidão...

 

 

 

Café Majestic  by Azriel Cohen

 

 

 

O Café Majestic é um local ligado à  história do Porto não só pela ambiência cultural que o envolve, nomeadamente a tradição do café tertúlia, onde se encontravam várias personalidades da vida cultural e artística, mas, também, pela sua arquitectura de identidade Arte Nova. (pt.wikipedia.org/wiki/Café_Majestic)

 

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publicado por teresworld às 22:44


3 comentários

De V.A.D. a 03.02.2008 às 23:29

Decisão difícil mas não irreflectida, essa de deixar tudo para trás, excepto a liberdade que se revela em futuros possíveis, em caminhos a traçar por ela própria. Acto de coragem, manifestação de desapego em relação ao conforto pasmacento em que definhava. Sensações esquecidas voltando na força do pulsar do coração...
Um texto magnífico, pela intensidade e pela forma como somos levados a entender a personagem.

Desejo-lhe uma excelente noite e uma óptima semana!

Um beijo... :-)

De cindamoledo a 04.02.2008 às 14:54

Passei...li...e gosteo. um beijinho cinda

De Emanuela a 14.02.2008 às 23:54

Já li e reli este teu post inúmeras vezes. E reflito-o, sem saber o que falar. Porque os rompimentos sempre me colocam assim, sem palavras.
Um beijo.

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