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O SILÊNCIO

Quinta-feira, 27.09.07

 

Por momentos ausentei-me de meu corpo e deixei-me levar pela corrente de recordações que pairavam no ar, aguçando, espicaçando a minha imaginação. Percorri com o olhar cada recanto deste lugar. E comecei a imaginar, um qualquer longuinquo Inverno,  o frio a entrar, sem ninguém o convidar, penetrando cada pequena ranhura da porta. A luta entre a pequena lareira e o frio que se fazia sentir seria desigual. Ao longe, era possível escutar o vento a uivar, provocando calafrios, arrepios de frio.

 

Entre outras coisas imaginei a pouca comida, possivelmente servida numa mesa não muito grande, colocada junto á parede. Provavelmente, um caldo bem quente, que aquece, aquece o corpo enregelado, aquece a alma quase fria.

 

Meu pai tentava encantar minha mãe, com frases como “vais descansar, aqui é calmo, vais ver…”. Senti pena de minha mãe, dos poucos dias em que iria ali repousar, segundo o meu pai, naquele lugar encantado.

 

Reviver o passado era o objectivo a que se proponha o meu pai e claro, como tudo na vida, ou quase tudo, tencionava partilha-lo com minha mãe. Não terão sido as confissões, ou as conversas, mas os silêncios. Sobretudo os silêncios. O silêncio de uma casa abandonada, outrora cheia de vida. O silêncio de meu pai que tudo absorvia, como que querendo resgatar o passado. O silêncio das noites que partilharam em silêncio...

 

 

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publicado por teresworld às 09:41


7 comentários

De cindamoledo a 27.09.2007 às 18:19

Tem uma taça a receber. Vá ao meu blog. Bjs cinda

De cindamoledo a 27.09.2007 às 18:30

Lindo o comovente.... bjs cinda

De TiBéu ( Isa) a 27.09.2007 às 18:58

Pois é amiga, agora fui eu que me derreti toda a lágrima veio ao olho, mas enfim temos de ter muita goragem primeiro perdi o meu pai, ainda bem novo, depois minha mãe já com mais uns anitos, agora sou mãe e avó e digo-te que nunca os esqueço. Espero por ti no meu cantinho e deixo um beijo de carinho, que tenhas por muitos mais anos a precensa da tua mãe, são os meus sinceros votos. Beijo

De V.A.D. a 28.09.2007 às 01:34

Os lugares impregnados de memórias de tempos antigos...! Senti o cheiro da lenha a arder; arrepiei-me com o frio, mas sobretudo com os silêncios...
Um texto magnífico...!
Votos de uma noite cheia de silêncios cómodos!

Um beijo...

De Emanuela a 28.09.2007 às 01:58

Há momentos em que nossos silêncios parecem poder resgatar de maneira quase real, partes do nosso passado. É um jogo sutil entre a memória, que pode nos trazer cheiros, sons, imagens...Só não pode nos trazer a matéria. E na realidade, era ela que gostaríamos de resgatar. Um beijo!

De mariola a 28.09.2007 às 16:23


Quando a vida nos rasteira e nos leva os "PAIS"... dentro de nós, é como se se partissem duas peças insubstituíveis.

Já não tenho os meus e AMO-OS TANTO, TANTO... ainda e sempre, suponho!

Para si

Vasconcelos

De MT-Teresa a 28.09.2007 às 19:08

Os silêncios que se instalam, por via do tempo que vai passando, são os piores.

Comovente este texto.

Beijinho e obrigada pelas tuas visitas

Teresa

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