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D. ERMELINDA

Quarta-feira, 19.09.07

 

 

MulherEugaria.jpg (34262 bytes)

 

 

 

A senhora Ermelinda tinha nesta altura aproximadamente uns oitenta e poucos anos. Uma aldeã tipicamente portuguesa. Toda vestida de negro, a saia coberta pelo avental, imaculadamente limpo. O cabelo, preso por um lenço, adivinhava-se completamente branco. Sulcos traçados pelo tempo em volta de uns olhos azuis e um magnifico sorriso pintado no rosto.

 

Foi meu pai que quase me forçou, isto é, fez questão absoluta em me apresentar a simpática senhora.

 

Percebi naquele dia que ela representava para ele as raízes que não tivera, da terra que não o quis, a avó que não conheceu, a mãe cujo rosto se desvaneceu na memória de criança abandonada.

 

Percebi não naquele dia, mas a pouco e pouco, o porquê da revolta constante com que meu pai enfrentava o mundo. A agressividade com que pronunciava as palavras, a forma como caminhava. Quase correndo para o alcançar, nunca me cansava de o acompanhar quando ainda menina para todo o lado o seguia.

Interrogava-me, se aquele andar apressado era uma forma de fugir do passado, um passado carregado de memórias atrozes ou se corria agarrando o futuro, um futuro que desenhou firmemente, traçando a linha da sua vida.

(cont.)

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publicado por teresworld às 16:12


4 comentários

De Emanuela a 20.09.2007 às 01:47

Todos os relatos que falam de "pai" emocionam-me. Com o teu, repleto da dor que sentiste nele, fizeste-me viajar ao teu mundo e dele.
Um beijinho!

De V.A.D. a 20.09.2007 às 02:04

Creio que todos nós precisamos de algo onde as fundações da nossa construção mental encontrem solidez...
Aguardo ansiosamente a continuação prometida... :-)

Um beijo...

De cindamoledo a 20.09.2007 às 14:54

Estou a gostar do texto. Há sempre qualquer coisa no passado de alguém, às vezes episódios alegres que nos fazem sorrir e até rir., outras vezes episódios menos alegres que nos fazem pensar, que nos fazem até chorar... fico à espera de mais. Um abraço cinda

De palavrasnosilencio a 21.09.2007 às 09:54

Que lindo Teres...
Se eu não tivesse já conhecimento da história de vida do seu pai, encontraria neste texto a descrição exacta de como um homem bom, teve um inicio de vida tão sofrida!
É tão linda a forma como fala do seu pai, o orgulho imenso que sentia por ele.
Lindo, lindo, lindo....
Parabens amiga! Adoro a sua forma de escrever.
Beijinhos da amiga,
Mónica

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